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Preservar a diversidade biológica.
A biodiversidade é uma necessidade, não um luxo. Nos anos mais recentes, o
desaparecimento de espécies e de áreas naturais, conseqüência da atividade
humana, tem ocorrido a uma velocidade sem precedentes.
Não mencionando os problemas éticos, freqüente e justificadamente referidos, a
extinção adicional de mais uma espécie representa uma perda irreversível de
códigos genéticos únicos, que estão muitas vezes ligados ao desenvolvimento de
medicamentos, à produção de alimentos e a diversas atividades econômicas.
A biodiversidade não só fornece os referidos benefícios diretor, como também nos
garante um sistema de suporte da vida. Ela é exigida para a reciclagem dos
elementos essenciais, como o carbono, o oxigênio e o azoto. É igualmente
responsável por mitigar a poluição, proteger os lençóis de água e combater a
erosão dos solos. Uma vez que atual como um tampão relativamente às variações do
clima, a biodiversidade protege-nos de eventos catastróficos que ficam além da
capacidade de controle humano.
Por ser uma questão tão debatida, têm sido realizados diversos estudos no
sentido de determinar o valor econômico da biodiversidade. Estes cálculos têm em
consideração parcelas como a dependência da agricultura das reservas genéticas
dos sistemas ecológicos naturais e as receitas que o turismo natural gera
anualmente.
Também nos oceanos o valor da biodiversidade é inquestionável, pois para além da
grande produção de oxigênio e consumo de dióxido de carbono, os oceanos da Terra
contêm uma grande abundância de recursos alimentares. Atualmente, a produção de
alimentos a partir dos stocks selvagens de peixe é a maior fonte de proteína
animal para a população humana, continuamente em expansão.
Grande parte das drogas sintéticas, incluindo o ácido acetil salicílico da
aspirina, foram inicialmente descobertas em plantas e animais selvagens.
Contudo, mesmo nos países mais desenvolvidos, a medicina tradicional está a
conquistar partidários, o que promove a importação de plantas com propriedades
medicinais, com óbvios efeitos em termos econômicos.
A poluição da água e da atmosfera não têm fronteiras nacionais. A chuva ácida é
um bom exemplo, pois enquanto as emissões industriais que a geram podem ser
imputadas a um país, os seus efeitos podem fazer-se sentir em diversos países
vizinhos. Talvez a maior ameaça à vida na Terra sejam as alterações globais do
clima. O aumento da concentração de dióxido de carbono e de outros gases
responsáveis pelo efeito de estufa, combinado com a depleção da camada de ozono,
está a ter efeitos climáticos notórios.
A uma escala global, a perda da biodiversidade pode mesmo ameaçar a segurança
nacional. Existem diversos conflitos internacionais sobre a água, os solos e
outros recursos naturais. Tais conflitos ambientais levam, muitas vezes tensões
nos orçamentos nacionais, nas infraestruturas públicas e nas relações
internacionais.
Apesar de se começar a definir uma consciência global sobre a importância da
biodiversidade, ações concretas são necessárias e urgentes, para que o caminho
que hoje se trilha não conduza a um beco sem saída.
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